“Lições tardias”, traduzido para o francês, por Celina Portocarrero

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Leçons tardives

On ne doit pas apprendre à attendre.
Ce que l’on doit, sans doute,
ce n’est qu’oublier les choses attendues.
Même s’il nous est dit
« attends-moi, à telle heure, dans tel jardin »,
le jardin nous doit suffire.
Que l’arrivée de ce
qui nous a fait attendre
soit quelque chose de normale dans ce monde,
comme la mort d’un papillon
ou la fuite d’un lézard sur les pierres.
Si rien n’arrive,
si personne ne se présente,
son absence ne sera point aperçue.

ALBERTO DA CUNHA MELO
Tradução de Celina Portocarrero

 

Não devemos aprender a esperar.
Devemos, sim,
esquecer as coisas esperadas.
Ainda que nos digam:
“espere-me, à tal hora, em tal jardim”,
o jardim nos deve bastar.
Que a chegada daquilo
que nos fez esperar
seja algo normal naquele mundo,
como a morte de uma borboleta
ou a fuga de um lagarto nas pedras.
Se nada chega,
se ninguém aparece,
não notaremos a sua falta.

LIÇÕES TARDIAS
Para Silvana Guimarães

Alberto da Cunha Melo
Há 50 Anos de “Círculo Cósmico”
No livro “O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos” (2006)

Imagem (recorte): © Ronny Garcia Moron – After

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