Círculo Cósmico

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Livro-me tarde. Um deus facínora
rasga a cabeleira da treva
e emerge todo satisfeito
como uma rocha de entre as ondas.

Estou no patamar do mar
e suplico gesticulando
com duas bandeiras na mão:
uma rosada e outra vermelha.

Tudo realizado e pronto
e público e definitivo,
tal um diário oficial
grifado para a Eternidade.

Agora o deus mencionado
particularmente dirige
a mão de lâmina, o perdão
ridente como todo escárnio.

E levantado num rochedo
(no mais alto, naturalmente)
dá grande salto pirotécnico,
antes de afastar-se dali.

ALBERTO DA CUNHA MELO
Do livro de mesmo título “Círculo Cósmico”. O primeiro lançado pelo poeta em 1966.
Em breve, a edição original inédita pela Editora Record

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