“O cão de olhos amarelos” em um ensaio de Diego Pereira da Silva

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A REBELIÃO SILENCIOSA DA POÉTICA ALBERTIANA

 EM O CÃO DE OLHOS AMARELOS & OUTROS POEMAS INÉDITOS

Diego Pereira da Silva[1]
Orlando Freire Junior
[2]

 

RESUMO: A poética de Alberto da Cunha Melo, notadamente a de O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos (2006), constitui a tônica deste artigo, que, ao leitor geral e especializado de poesia, busca apresentá-la, a partir de alguns paradigmas de leitura já inaugurados, nesse sentido, e da proposição de um outro, mas, a esses, convergente; reconhecendo, para além de seu contexto sócio-histórico-literário (Cordeiro, 2003), evolução expressivo-temática (Moliterno, 2007) e marco hexacêntrico (Barbosa Filho, 2006), um epicentro paradoxal, por hipótese, ao situá-la entre a poesia moderna e a de (pós-) vanguarda (Paz, 2013), através da investigação de seus indícios flutuantes de sentido (Tinianov, 1975). Pelo que se revela útil à sua abstração localizá-la na intermitência do princípio da mudança (o da poesia moderna, mas, também, da poesia de vanguarda) e do princípio invariante (o da pós-vanguarda); ou, na intersecção entre a negação do absoluto pela contingência (absorção do poema, enquanto ato puro, pelo acaso) e a dissolução da contingência em um absoluto (absorção do acaso pelo poema); compreendendo-a como um movimento solitário, solidário, de criação fundado na oposição central arte / vida.

PALAVRAS-CHAVE: Poética albertiana. Paradigmas de leitura. Movimento de criação.

RÉSUMÉ: Nous mettons en relief dans ce travail l’approche poétique de l’auteur Alberto da Cunha Melo, dans son oeuvre O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos, 2006. Nous avons le but de la présenter à partir a) de quelques paradigmes de lecture déjà connus et aussi b) de la proposition d’un nouveau paradigme, mais qui semble convergente aux lectures précédentes. En plus de son contexte socio-historique-littéraire (Cordeiro, 2003), de l’évolution expressive-thématique (Moliterno, 2007) et du cadre hexacêntrico (Barbosa Filho, 2006), nous envisageons sa poétique comme un épicentre paradoxal, en la situant entre la poésie moderne et le (post) avant-garde (Paz, 2013), à travers la recherche de la richesse de leurs sens (Tinianov, 1975). Du fait de cette abstraction avoi devenir utile de sens, il faut la placer a) dans l’interruption du principe du changement (de la poésie moderne, mais aussi de la poésie d’avant-garde) et du principe invariante (de la poésie post-avant-garde); b) ou dans l’intersection entre la négation de l’absolu par la contingence (l’absorption du poème comme acte pur, par hasard) et la dissolution de la contingence dans un absolu (absorption du hasard par le poème). Ce fait nous a conduit à considérer l’abstraction comme un éffort  solitaire, solidaire, de création établie dans l’opposition centrale entre l’art et vie.

MOTS-CLÉ: Poétique albertiana. Paradigmes de lecture. Abstraction et création.[3]

 

INTRODUÇÃO

O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos, último livro publicado por Alberto da Cunha Melo em vida, logra, um ano após, em 2007, da Academia Brasileira de Letras, o epíteto de melhor do gênero àquela época, justamente quando o Poeta de Jaboatão, ovacionado pela crítica de César Leal, Bruno Tolentino e Alfredo Bosi, morria, sem a projeção nacional de seus poemas e com uma fortuna crítica oficial não muito diferente da de hoje, distribuída em um ensaio (2003), uma dissertação de mestrado (2005) e uma tese de doutorado (2007), impingindo-me, essa injustiça, a vivificação da sua palavra.

Porque me parecia uma das grandes funções do leitor de literatura, que eu espero encontrar, também, no professor de língua materna, o combate ao anonimato de quaisquer escritores, no sentido de pugná-lo, mostrar-se contrário a ele e vencê-lo, debatendo-se, muitas vezes, ante tal propósito, num tempo como o nosso, em que a palavra, para alguns, deixou de ser refúgio, para outros, a própria casa. Como se não bastasse, e não basta, é claro, ler quem quer que seja, ou o quê, sem sair avisando, dessa leitura, àqueles com os quais se (con) vive. Hoje, uma certeza.

De modo que, nessa urgência, palmilha-se o presente artigo, intitulado “A rebelião silenciosa da poesia albertiana em O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos”. Li Alberto da Cunha Melo  e  preciso compartilhá-lo; mas, aqui, com o objetivo de lhe apresentar ao leitor geral e ao especializado, por meio de algumas perspectivas já inauguradas, nesse sentido, propondo uma outra, que se debruce sobre o suposto paradoxo seu epicentro.

Para tanto, busquei discutir, primeiramente, a produção literária do autor destacado, em virtude do contexto sócio-histórico-literário (CORDEIRO, 2003), da evolução expressivo-temática (MOLITERNO, 2007) e do marco hexacêntrico (BARBOSA FILHO, 2006) de sua obra, sobre a qual essa leitura prismática já se consolidou enquanto paradigma; para, mais adiante, situá-la entre a poesia moderna e a poesia de (pós-) vanguarda (PAZ, 2013), através da investigação de seus indícios flutuantes de sentido (TINIANOV, 1975).

 

INICIAÇÃO À POÉTICA DE ALBERTO DA CUNHA MELO

 

Moro tão longe, que as serpentes / morrem no meio do caminho. / Moro bem longe: quem me alcança / para sempre me alcançará. // […]. // […]. // […]. // Nada será fácil: as escadas / não serão o fim da viagem: / mas darão o duro direito / de, subindo-as, permanecermos. (CUNHA MELO, 2012, p. 30).

O anonimato do poeta pernambucano Alberto da Cunha Melo (1942-2007), devido, em parte, a sua modéstia excessiva enquanto escritor, em outra, às circunstâncias de produção e circulação da escrita no país, pouco favoráveis à instituição da literatura enquanto prática social, representa uma perda considerável não só a ele, cuja poesia, fértil, produtiva e fecunda, destaca-se em meio à de sua geração, mas, a todo e qualquer tipo de leitor, desde aquele para o qual é preciso produzir e entregar um antídoto à dissipação do próprio espírito, ao que, a sua imagem e semelhança, funda-se no interstício da filosofia e da metafísica de Kafka e Eliot.

A Cunha Melo, porque quem escreve recomeça, refloresce e reverdeja à medida em que é lido; ao leitor vário, porque a poesia albertiana, circunscrita em um período no qual a produção poética brasileira já anuncia, de certo modo, o fim do Modernismo, propõe novos modos de se pensar e de se sentir um tempo marcado pela dispersão, como o do final do século XX e início do século XXI, ao tematizar alegoricamente a humanidade, também ínfima, anônima e miserável.

Foram quatro décadas de efetiva produção literária (1966-2006) e, durante este período, 17 livros publicados, a maioria sob a tiragem mínima de 150 a 1000 exemplares, sem projeção nacional, como o próprio autor observa, em seus últimos anos, e já consagrado pela crítica especializada, ao participar de uma entrevista coletiva sobre a sua vida e obra, realizada por Alcir Pécora, Alfredo Bosi, Anderson Braga Horta, Astier Basílio, Deonísio da Silva, Domingos Alexandre, Eduardo Martins, Ermelinda Ferreira, Evandro Affonso Ferreira, Isabel de Andrade Moliterno, Ivan Junqueira, Ivo Barroso, José Nêumanne Pinto, Mário Hélio e Martim Vasques da Cunha, revelando-lhes detalhes como estes:

[…]. Exceto o Soma dos sumos (1983), publicado pela José Olympio em convênio com o governo do Estado, e com uma distribuição de exemplares pelo Sudeste; o restante [de minha obra]só teve mesmo alguns exemplares expostos e vendidos na Livraria Livro 7, aqui em Recife, hoje extinta. A província continua sendo cercada pelo que chamo num poema de “horizonte de guilhotinas”, escrevemos aqui, distribuímos os poucos exemplares do que publicamos, por aqui, e morremos aqui, esquecidos pelo resto do Brasil. […]. (CUNHA MELO apud CORDEIRO, 2012, p. 120).

E se somente cinco anos após a sua morte, o Jornal Rascunho, por meio de Cristiano Ramos (2012), apresentou-lhe ao Brasil como o poeta cuja obra deveria ultrapassar as margens do rio Capibaribe, ainda que não dispusesse como traço diferenciador a originalidade; antes, isso coube a Alfredo Bosi e a Bruno Tolentino, mas, com uma empolgadura justificada, de acordo com tais críticos literários, pelo plano formal de conteúdo e de expressão próprios da poesia albertiana:

O Nordeste nos dá, mais uma vez, depois do paraibano Augusto dos Anjos […], do alagoano Jorge de Lima e dos pernambucanos Carlos Pena Filho e João Cabral, a sua lição de dor que se faz beleza e arranca de si forças para construir uma poesia como a de Alberto da Cunha Melo, cujo nome secreto é – resistência. (BOSI, 2003, 162-163).

[…] à maneira de um cineasta das palavras, […] faz mais que enriquecer imensamente a arte de poesia em nosso idioma: devolve-lhe sua posição de ponta no mais amplo quadro da literatura universal […] [; inscrevendo-se] definitivamente entre os grandes, os maiores vates de nosso tempo em qualquer língua que eu conheça. […]. (TOLENTINO, 2003, 341-347).

Hoje, a sua obra, distribuída em fases com variações singularizadoras, conforme pontua Ferreira (2003 apud CORDEIRO, 2003, p. 7), é investigada por Cláudia Cordeiro que, há mais de duas décadas, observando a escrita de Alberto da Cunha Melo, sob as categorias da unidade e da coerência, já propunha, em 2003, o seu estudo à luz do conceito de Poesia-Resistência, estabelecido por Alfredo Bosi. Segundo Cordeiro (Ibid., p. 15), algo fundamental para a identificação das formas e dos eventos próprios da poesia albertiana e, por efeito, ao leitor que lhe desejasse compreender a estética e a mensagem genuínas.

Dito isso, se, por um lado, é preciso lê-lo e sair avisando a quem quer que seja dessa sua poesia dura e cortante, sobretudo de significação; por outro, faz-se necessário interpretar a agudeza de tal obra, concebendo-a, em um primeiro instante, na condição de leitor vario, a partir de (i) seu contexto sócio-histórico-literário e (ii) suas fases ou faces; e, em um segundo, enquanto aquele que se pretende kafkiano ou eliotiano, por meio de (iii) seis chaves de leitura propostas, especificamente para essa empreitada, e, após a (iv) problematização dos conceitos de moderno, modernidade e modernismo, intermediada pelo resgate dos conceitos de poesia de vanguarda e poesia moderna, (v) sua suposta inclusão no paradigma da antimodernidade. Até mesmo para entender porque sua poesia “é um ato de amor, num mundo de não amor”, como a descreveu a própria esposa (2003, p. 87).

O contexto sócio-histórico-literário das décadas de 60 e 70

Foi com a publicação de Círculo Cósmico, em 1966, que Alberto da Cunha Melo surgiu enquanto poeta, no cenário recifense, destacando-se entre aqueles com os quais fundara, há pouco tempo, em Jaboatão dos Guararapes, um grupo para a recepção crítica do que eles produziam literariamente e cuja revelação à imprensa coube a (i) César Leal, no referido ano, em virtude do evento destacado, e ao (ii) lançamento, em 1967, de uma antologia poética própria, Lírica.

De lá pra cá, sua participação no Grupo de Jaboatão, que, entre 1979 e 1984, tratou-se, também, de um movimento editorial, aglutinando diversos artistas e intelectuais, contribuiu para integrá-lo, enquanto poeta, à Geração 65, tributária da Geração 45 e avessa às vanguardas formais Concretismo e Poema Práxis, submetendo-o, no influxo desse contexto sócio-histórico-literário, a determinados modelos ou referências literárias.

Alberto da Cunha Melo que, à semelhança dos demais de sua geração, viu-se circundado pelo capital, Che Guevara e as Encíclicas de João XXIII, em um momento no qual a Guerra Fria fortalecera o pluralismo e, especificamente no Brasil, o Golpe de 64, definira a esquerda, conforme descrição de Aguiar (1995 apud CORDEIRO, 2003, p. 30), construiu-se entre a poesia parnasiana e árcade e os movimentos neovanguardistas, escrevendo sob todas essas tendências, como é possível verificar na justaposição dos poemas abaixo:

Região palustre

Envolvido, logo ao nascer,
pelas faixas da Confraria:
alma entrevada, já sem asas,
na gaiola suja do corpo.

Alimenta as aves vizinhas
na mão aberta; a vida inteira
sempre a raspar do mundo chão
o esterco azul dos rouxinóis.

Sem ser evangélico, vai
ao templo pobre, ouvir a chuva
nos velhos zincos repetir
os tambores da retirada.

Vozes altas nos corredores
falam que é tempo de jogar
as crianças pela janela,
para aqueles que vão passando.

Conferir a cada palavra
o vezo, a virtude de ser
essa glória que surge súbita,
como um galho na correnteza.

(CUNHA MELO, 2006, p. 239).

Psicanálise

Perto de mim
perto estou de mim
perto estou mais de mim
perto estou cada vez mais de mim
perto estou cada vez mais e mais de mim
perto estou cada vez mais e mais e mais e mais de mim
perto estou cada vez mais e mais e mais e mais e mais de mim.

(Ibid., p. 224).

Esses poemas, que foram publicados em 2006, n’O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos, inclusive, obra com a qual o autor celebrou os 40 anos de sua produção literária, ilustram o percurso percorrido por ele da sua primeira à última fase, reconhecendo-o em meio a um multifacetamento estético: de um lado, em Região palustre, um texto escrito em octossílabos brancos e próprio da primeira fase da poesia albertiana; do outro, em Psicanálise, uma experiência esporádica própria do vanguardismo brasileiro; e, em ambos, a figura do poeta que, transparente no primeiro texto e opaca no segundo, se define, inquestionavelmente, nessa relação paradoxal.

Se Cunha Melo, no entanto, justifica (2006, p. 80) a experiência vanguardista que teve como um esforço meramente intelectual, mas esporádico, de combater o mau uso do verso livre, supostamente desencadeado por movimentos estéticos dessa natureza, reafirmando-se (apud CORDEIRO, 2012, p. 114) neoclássico ou cabralino; há de se tensionar essa discussão a partir da recorrência temática em sua poética agônica a anti-celebratória, segundo Cordeiro (2003, p. 62), para quem o eu-poético de Alberto da Cunha Melo é um “vórtice cosmogónico do ser transubstanciado na arte poética”.

Fases ou faces da poesia albertiana

 

A divisão da obra literária de Alberto da Cunha Melo em fases não se revela uma tarefa de todo árdua, por duas razões: (i) o autor já refletia sobre isso, ao longo da própria produção, redigindo, regularmente, notas esclarecedoras do seu percurso estético, incluídas em alguns dos livros por ele publicados; e, (ii) Cláudia Cordeiro, hoje, sua viúva e inventariante, tendo o acompanhado por décadas, propôs, em 2003, a categorização cronológica e temática de sua poesia, em virtude de suas múltiplas faces de inabalável resistência humana, numa espécie de análise panorâmica da mesma.

Discussão essa retomada, em 2007, por Isabel de Andrade Moliterno, que se encarregou de aprofundá-la, detendo-se à análise da poética albertiana a partir de três dos cinco elementos estruturais do poema citados por D’Onofrio (2007): nível gráfico (observação da composição estrófica, apenas), nível fônico (procura de algumas das equivalências posicionais e sonoras) e nível semântico (apontamento de uma ou mais linhas isotópicas).

E ainda que tal empreitada se revele passível de encorpamento, conforme advertem Cordeiro (2003) e Moliterno (2007), talvez, pelo fato do poeta ter republicado, parcial ou integralmente, algumas de suas obras ou, ainda, pelo tratamento secundário da referida classificação, por parte de tais autoras em suas pesquisas sobre o expoente da Geração 65; o material produzido por elas nesse afã constitui referencial para, dentre outras questões, observar como o apequenamento do homem, dada a fome, a dor, a miséria, a tristeza, a injustiça, a humilhação e a crueldade que lhe são, muitas vezes, impingidas, funda a literatura essencialmente humana do Poeta de Jaboatão – pelo que sugere Ferreira (2003 apud CORDEIRO, 2003, p. 7).

Assim, se através do estudo das três fases ou faces a partir das quais Cláudia Cordeiro concebe a poesia de Alberto da Cunha Melo, ou das quatro, pelo que propõe Isabel de Andrade Moliterno, é possível destacar o processo de esmaecimento de seu subjetivismo temático, no plano do conteúdo, e o de fixação métrica, consubstanciado pelo abrandamento do de variação rítmica, no da expressão; vale a descrição, ainda que abreviada, de cada um desses estágios, mas, diferentemente do que fizeram as autoras em fito, por meio da seleção de quatro poemas de O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos, neste caso, Formas de abençoar, Parada tática, Varrendo o salão e Balança, dada a escolha do autor em retomar, nesta obra, textos próprios de momentos distintos de seu percurso literário.

Vinculado à primeira fase da poesia albertiana, na qual se inscrevem os títulos Círculo cósmico (1966), Oração pelo poema (1969), Publicação do corpo (1974) e Poemas anteriores (1989); Formas de abençoar, um octossilábico branco subjetivista, tematiza a desventura do ser humano em existir:

Formas de abençoar

Fique aqui mesmo, morra antes
de mim, mas não vá para o mundo.
Repito: não vá para o mundo,
que o mundo tem gente, meu filho.

Por mais calado que você
seja, será crucificado.
Por mais sozinho que você
seja, será crucificado.

Há uma mentira por aí
chamada infância, você tem?
Mesmo sem a ter, vai pagar
essa viagem que não fez.

Grande, muito grande é a força
desta noite que vem de longe.
Somos treva, a vida é apenas
puro lampejo do carvão.

No início, todos o perdoam,
esperando que você cresça,
esperando que você cresça

(CUNHA MELO, 2006, p. 235).

Nele, o eu lírico, por acaso, homem, volta-se ao filho que não possui, mas, desejara; justificando-lhe a sua inconceptibilidade. Um ato de reposta individual à opressão do cotidiano ou às trevas – diante das quais a vida ou o lampejo do carvão, se constituídos no silêncio ou na solidão, disporiam da mesma natureza fugaz – e extremamente necessário, considerando-se a iminência de sua morte, retratada, mais tarde, em Parada tática:

Parada tática

Por enquanto,
não podemos mover-nos:
a dor
é uma iniciativa nossa.
Temos as mãos atadas
e um escorpião na lapela.

(Ibid., p. 117).

Aqui, novamente de mãos atadas, ele espera. Não se sabe o quê, se a morte ou a vida, mas, espera. Porque, agora, pelo menos, é o tempo que lhe parece transitório, não ele. Afora o escorpião, há a lapela e a dor ou (a ausência de) uma inciativa. Dali a pouco, será preciso mover-se – por integrar a segunda fase da poética albertiana, especificamente, a dos livros Dez poemas políticos (1979), Noticiário (1979), Poemas à mão livre (1979) e Clau (1992), marcados pela variação métrica e rítmica – e o fará, como nos dois poemas que sobram a esta análise.

Dito isso, se antes esse eu lírico experimentou o estado de vida como um estado de morte (Formas de abençoar), ou o deste como um daquele (Parada tática), é, em Varrendo o salão, poema circunscrito entre os livros componentes da terceira fase da obra de Alberto da Cunha Melo, Carne de terceira (1996), Ycala (1999) e Meditação sob os lajedos (2002), que conceberá o estado de vida como um estado de vida e o estado de morte como um estado de morte, sob uma forma fixa de poema criada pelo poeta, a retranca:

Varrendo o salão
Qualquer vida é longa demais
para quem não pode escolhê-la;
luz que termina, mas prossegue
como o cadáver de um estrela;
são demais os quase sessenta
anos sem trégua, só tormenta.
sobra de festa a apodrecer,
enquanto os convivas se banham
na luz louca do amanhecer:
que faz da dor, sem endereço,
como uma velha sem terço?
(Ibid., p. 88).

Pelo exposto, a discussão subjacente a esse poema, a do contrataste entre as fases da vida humana, acaba sendo realizada por um eu lírico mais levado à reflexão do que a qualquer outra coisa, devido aos seus quase sessenta anos de existência e, em virtude disso, entregue ao discurso em terceira pessoa. Para ele, sim, a vida é longa, não se pode escolhê-la, como se passa, também, com a morte, mas, acaba para todos, com os que se deixaram atormentar ou não e, em especial, com os velhos. Eis o ciclo de se lembrar, ou de se esquecer, a exemplo do eu lírico d’O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos, obra com qual o poeta morre, em sua quarta e última fase, a da Balança, em meio aos seus poemas, agora, paralelísticos e monométricos:

Balança

Mudar de cruz e não de ombro

deveria ser um descanso,

Mudar de cruz e não de ombro

deveria ser um descanso,

mas, há um risco: a nova cruz,

feito pijama de hospital,

poderia não ter seu número.

feito pijama de hospital,

poderia não ter seu número.

Nessa alta idade você pode

roubar no jogo e, até mesmo,

furar a fila da indulgência.

roubar no jogo e, até mesmo,

furar a fila da indulgência.

Beba muito para saber

por que a consciência da morte

nos separou das borboletas.

por que a consciência da morte

nos separou das borboletas.

Dê graças ao temor de Deus,

não pela fé, mas porque aqui

ninguém merece o nosso medo.

não pela fé, mas porque aqui

ninguém merece o nosso medo.

(Ibid., p. 29-30).

Segundo Moliterno (2007), Alberto da Cunha Melo, em seu percurso de 40 anos enquanto poeta, discutirá, em seus poemas, mesmo diante de uma certa variedade temática, o homem que, incialmente, estranho e desconfortado, por seu cotidiano opressivo, ver-se-á preso às relações infaustas, tanto no âmbito público quanto no privado, mais tarde, marcadas pela hipocrisia e, na condição de ser humano, diante desse contexto, despertado para a busca da própria reintegração ou encontro, inclusive, para o amor – ainda que viver faça parte de um ciclo natural em que, sobre homens e mulheres, civilizados ou primitivos, paire a morte.

O marco hexacêntrico de O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos

Ao posfaciar O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos, em um texto intitulado Alberto da Cunha Melo, grande pecador ou seis propostas para uma nova leitura, o poeta e crítico literário paraibano Hildeberto Barbosa Filho (2006, p. 259-267) descreve o que seria o marco hexacêntrico da poesia albertiana, propondo, a respeito desta, algo chamado por ele de nova leitura.

Segundo ele, haveria, em tal obra, que é, de certo modo, uma extensão de todas as outras que lhe precederam, camadas temático-expressivas agudas, seis, ao todo, definidas por determinados aspectos e cujo traspassamento pelo leitor o ajudaria na absorção da mesma, nesse plano. São elas:

  1. A da temática espessa, pela discussão do ínfimo, do anonimato e da miséria, paralela à da humanidade ou, por esta, justificada;
  2. A do lirismo e da fabulação, dada à consolidação do primeiro item na utilização de técnicas do segundo;
  3. A da intertextualidade erudita, constatada a presença de Kafka, Machado de Assis, Eliot, Baudelaire, Corbiére, Laforgue, Arnaud Daniel, Valéry e João Cabral, nesta ordem;
  4. A da unidade paradoxal, devido à essência material de coisa mentale e libido sentiendi;
  5. A dos procedimentos retóricos, ante a utilização de técnicas como a do correlato objetivo, do acento expressionista da imagem, do imagismo plástico e a do aforismo;
  6. A das bases estéticas; neste caso, a tradição do verso e da imagem, em especial.

Na verdade, conforme pontuação de Barbosa Filho (Ibid., p. 267), um conjunto próprio de matrizes da poética albertiana, que é toda experimental, inventiva, não se esgota, em face disso, e exige, para si mesma, um leitor, naturalmente, aberto, como o são os sistemas estéticos, a partir dos quais não se destrói, antes, reinventa-se, a tradição literária, inclusive, com a produção de uma obra autêntica, a exemplo da do Poeta de Jaboatão, ou por causa dela.

 

A REBELIÃO SILENCIOSA, SOLITÁRIA, DA POESIA ALBERTIANA

 

POEMA SOBRE

UMA COISA

POEMA COBRE

UMA COISA

POEMA SÓ

UMA COISA

(CUNHA MELO, 2006, p. 224).

[…] [Para determinadas] correntes da vanguarda ou a ela ligadas […], este livro [O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos] é, certamente, um grande pecador. […]. (CUNHA MELO, 2006, p. 23).

 

Talvez haja um limite concreto no espaço do poema elevado à epígrafe desta seção, um limite concreto em seu tempo, uma noção por ele incorporada, qualquer que seja, e, por isto, assunto, mas, também, sensação. Um poema que, se não está no alto ou ao longo de, certamente, em, e se já deixou de ser próximo a, ainda o é para mais de um – poema / autor. Porque, sim, ele existe. Mesmo em nome de, principalmente, por respeito a – seus versos, que (se) aninham. Na falta de todas as coisas, ou de uma, cobrirá a si próprio, só, sozinho.

Até mesmo, pelo que permite afirmar a investigação transversal das estruturas léxicas e funcionais das palavras constitutivas do poema ora destacado, em uma tentativa de lhe reconhecer os indícios flutuantes de sentido (semântica imaginária, enigmática), após os indícios fundamentais (semântica primeira, previsível), como sugere Tinianov (1975), para quem a consciência do problema da linguagem poética, o da abstração de seu sentido, não deve focar, a respeito da palavra, o fato dela não possuir um significado preciso, mas, o de suportar, por esta razão, uma leitura aguda, convindo-lhe, todo o texto, como um código orientador e determinante.

A julgar, por exemplo, pelo substantivo e a preposição encabeçados no título do Poema sobre, ou, ainda, pelo verbo que arremata o segundo verso (cobre); entre esses dois trechos, ali, o fulcro de sua expressão temática acaba revelado – neste caso, o paradoxo da ação poética, que (não) se distingue, porque circunstanciada – enquanto as demais palavras, as que restam (uma, coisa e ), distribuídas ao longo de uma única estrofe, estância, anunciam o espaço e/ou o tempo, que, a ele, ao poema, serve (m) de conteúdo (noção de futuro e mudança estabelecidos) e/ou de continente (noção de futuro e mudança dissolvidos); justificando a afirmação da poética albertiana por ela mesma, quando de sua negação, ou vice-versa; sua crítica às correntes de vanguardas que, maduramente, sorve.

Não contraditoriamente, o Alberto da Cunha Melo que, em O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos, (1.1) retoma “uma forma extinta de poesia japonesa” (CUNHA MELO, 2006, p. 22), a renka, lançando-se, nos seus octossílabos, à escrita de poemas paralelísticos – cuja “figura retórica [configura-se como a] mais universal da poesia e da proto-poesia (a exemplo da dos povos arcaicos) ” (Ibid., p. 23) –, (1.2) além de inaugurar uma forma fixa (a retranca), é o mesmo que, experimentando, em algumas ocasiões, o vanguardismo brasileiro, a ele (2) tributa a busca da autonomia do poema, no combate ao mau uso do verso livre e em favor da manutenção da identidade social da poesia (Ibid., p. 80).

De modo que compreendê-lo implica situá-lo na intermitência das poesias fundadas, em um só tempo, no princípio da mudança (o da poesia moderna, mas, também, da poesia de vanguarda) e no princípio invariante (o da pós-vanguarda); ambos, comensais, porque saltam para dentro de si os poetas do pós-Guerra, marginalizados e, por isto, condenados a um movimento solitário solidário de criação, pelo qual, insensível e irreversivelmente, sua literatura muda, assumido a oposição central arte / vida, para duas grandes tentativas (dentre as quais, a primeira, frustrada): (1) a de resolução / dissolução dessa dualidade, poesia moderna, e (2) a de fazer circulá-la, poesia de (pós-) vanguarda. Neste caso, conforme reflete Paz (2013, p. 152-3, 163), a partir de suas definições para os conceitos aqui arrolados:

A expressão “poesia moderna” geralmente é usada em dois sentidos, um restrito e outro amplo. No primeiro, alude ao período que tem início com o simbolismo e culmina na vanguarda. […]. No sentido amplo, tal como se usou neste livro, a poesia moderna nasce com os primeiros românticos e seus predecessores imediatos do final do século XVIII, atravessa o século XIX e, através de sucessivas mutações que são também reiterações, chega até o século XX. Trata-se de um movimento que abrange todos os países do Ocidente, do mundo eslavo ao hispano-americano, mas que em cada um de seus momentos se concentra e se manifesta em dois ou três pontos de irradiação. […]. A poesia de vanguarda é, simultaneamente, uma reação contra o simbolismo e sua continuação. […]. (Ibid., p. 124).

[…]. O começo: ação clandestina, quase invisível e que muitos poucos levaram em consideração. Em certo sentido foi uma volta à vanguarda. Mas uma vanguarda silenciosa, secreta, desenganada. Uma vanguarda outra, crítica de si mesma e em rebelião solitária contra a academia em que a primeira vanguarda se havia transformado. Não se tratava, como em 1920, de inventar, e sim de explorar. O território que atraía esses poetas não estava nem fora nem dentro. […]. […]. A poesia da pós-vanguarda […] nasceu como uma rebelião silenciosa de homens isolados. (Ibid., p. 152-3).

Porque, na lírica albertiana, quando as coisas não se prendem à carga de seu tempo e os signos, aos seus significados, libertam-se deles, culminando no que Paz (2013, p. 118) denominou metaironia, esta interseção entre a “negação do absoluto pela contingência” (absorção do poema, enquanto ato puro, pelo acaso) e a “dissolução da contingência em um absoluto” (absorção do acaso pelo poema), expressa, sobretudo, nos doze poemas metalinguísticos[4] de O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos, a exemplo do intitulado Dois demônios (CUNHA MELO, 2013, p. 107):

Dois demônios

Para Alfredo Bosi
O demônio de dentro sofre
de insônia, dorme muito pouco,
para que nenhum dos cordéis
de tua alma faça-se solto,
mas se ele cochila uma hora,
assume o demônio de fora;
e assim, toda resistência,
em duas frentes, leva o tempo
inteiro de tua existência,
e rouba-te as horas de amar,
que dão aos santos seu altar.

Se a dedicatória inscrita por Alberto da Cunha Melo neste poema for analisada contextualmente, na verdade, sob o peso de Alfredo Bosi na interpretação crítica de sua obra, é possível que a revelação de um eu lírico bifrontado equivalha a de seu autor, em cujos rostos (de dentro / de fora), unidos em proporção (demônios), haja a expressão de uma resistência (insônia) e de uma ousadia corajosa (cochilo), que o contrapeso de sua existência (o tempo de amar roubado, dentre tantos outros), embora não o aniquile, confunda, neste jogo de opostos. De qual tempo e espaço seriam esses Dois demônios, o poeta? Para quais? De qual futuro e com que propósito de mudança? Para quais? Que vida se estabelece ou dissolve neste duplo universo? Que poesia?

“A solução é a não solução” (PAZ, 2013, p. 118). Antes e depois de perder-se, ele precisa suportar essa demora (CUNHA MELO, 2006, p. 253), a falta de um poema limpo, e morrer, com a sua poesia – mas, na terra, nos outros (Ibid., p. 254). Germinado que é, pelos asfaltos e ladeiras de uma agonia anônima, pela semeadura e vômito de seus demônios (Ibid., p. 89); embora, acredite não ter nada para deixar ou dizer sobre o longo mal-estar que fora sua vida, com a exceção de algumas palavras (Ibid., p. 150), e sinta a desolação do próprio trabalho (Ibid., p. 168), por suas canetas que falham no meio da página (Ibid., p. 206), como se descosturassem (Ibid., p. 214) a paz, a foz, a poesia, a via (Ibid., p. 226) – a fala de sua língua (Ibid., p. 246). Pois, nesta busca, em que se persegue a autonomia do poema ou, ainda, a manutenção de sua identidade social, encontra-se O escritor tropical, aquele do Sertão Central e de Crateús:

 

O escritor tropical

No calor, escrever

é empunhar a raiva,

britadeira contra a matéria:

o suor do antebraço

a grudar-se na página,

e a sedosa névoa,

invólucro da imagem,

a engrossar-se em lona

de uma carga de flandres,

enquanto as borboletas

batem e escorrem

em guache, no pára-brisa.

(Ibid., p. 144).

Sertão Central e de Crateús

 

Que a poesia seja

a arte de dar nome

a todos os bois:

aos pesados novilhos

de fazendeiro-prefeito

e às duas cabrinhas

do morador submisso

e por isso chamado

de morador perfeito;

que a poesia seja

a arte de dar fome

de justiça

a todos os homens.

(Ibid., p. 193)

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Abstrair a poética albertiana, já reconhecida, até, pela crítica especializada, a exemplo de César Leal, Bruno Tolentino e Alfredo Bosi, não se restringe a situá-la entre a poesia parnasiana, árcade, e os movimentos neovanguardistas, em uma justaposição de tendências, afora a do próprio tempo; investigando-a por meio do processo de esmaecimento de seu subjetivismo temático, do de fixação métrica e abrandamento da variação rítmica, de outras matrizes que lhe particularizem nos planos do conteúdo e da forma – como se a constatação de seu caráter experimental, inventivo, bastasse a essa empreitada.

Mas, à inauguração de um paradigma de leitura que, complementar a esses, explore a intermitência da lírica de Alberto da Cunha Melo, em seu movimento de partida (da poesia parnasiana, árcade; de um maior subjetivismo temático; do acirramento da variação rítmica), chegada (aos movimentos neovanguardistas; a um menor subjetivismo temático; ao abrandamento da variação rítmica) e, novamente, partida; pelo qual pode-se defini-la, verificando-lhe, assim, o epicentro, através de seu paradoxo, além das camadas temático-expressivas agudas.

Por isso, inclusive, tensionou-se o Poeta de Jaboatão com os princípios da mudança e da invariabilidade característicos das poesias moderna e de pós-vanguarda absorvidos por sua obra, notadamente O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos; para, reconhecendo-lhe, em um exercício dialético, o ideal, lema ou divisa (o da oposição arte / vida dissolvida, posta em circulação), tomar sua literatura por um fenômeno solitário solidário de criação, a partir do qual o escritor abria os olhos não para algo ou alguém, mas, para si mesmo, no sentido de combater-se.

Sobretudo, porque, conforme sugere a agudeza de sua metáfora, em especial a dos dois últimos poemas apontados (CUNHA MELO, 2006, p. 144, 193), se se batem e escorrem em guache, as borboletas, no pára-brisa (tempo de dar nome a todos os bois), há de se escrever, ou ler, poesia – aquela que, contra a matéria, é britadeira e não se furta de empunhar qualquer raiva, para dar fome de justiça a todos os homens, do fazendeiro-prefeito ao morador submisso, ao morador perfeito. Há de se (re) escrever, ou ler, O escritor tropical. E, em qualquer sertão.

 

REFERÊNCIAS

 

BARBOSA FILHO, Hildeberto. Alberto da Cunha Melo, grande pecador ou seis propostas para uma nova leitura. In: MELO, Alberto da Cunha. O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos. São Paulo: A Girafa, 2006. p. 259-267.

BOSI, Alfredo. Uma estranha beleza. In: MELO, Alberto da Cunha. Dois caminhos e uma oração. São Paulo: A Girafa Editora; Recife: Instituto Maximiano Campos, 2003. p. 161-163.

BUENO, Alexei. Dissoluções e derivações do Modernismo. In: ______. Uma história da poesia brasileira. Rio de Janeiro: G. Ermakoff Casa Editorial, 2007. p.  356-395.

CORDEIRO, Cláudia (Org.). A mais longa e única entrevista coletiva concedida por Alberto da Cunha Melo. In: MELO, Alberto da Cunha. Cantos de contar. Recife: Editora Páes, 2012. p. 109-155.

CORDEIRO, Cláudia. Faces da resistência na poesia de Alberto da Cunha Melo. Recife: Edições Bagaço, 2003.

D’ONOFRIO, Salvatore. Teoria da lírica. In: ______. Forma e sentido do texto literário. São Paulo: Ática, 2007. p. 180-277.

MELO, Alberto da Cunha. Cantos de contar. Recife: Editora Páes, 2012. p. 109-155.

MELO, Alberto da Cunha. O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos. São Paulo: A Girafa, 2006.

MOLITERNO, Isabel de Andrade. Imagens, reverberações na poesia de Alberto d Cunha Melo: uma leitura estilística. São Paulo: [s.n.], 2007. Originalmente apresentada como tese de doutorado, Universidade de São Paulo.

PAZ, Octavio. O caso da vanguarda. In: ______. Os filhos do barro: do romantismo à vanguarda. Tradução de Ari Roitman e Paulina Wacht. São Paulo: Cosac Naify, 2013. p. 107-165.

RAMOS, Cristiano. Deserto particular. Jornal Rascunho, Curitiba, n. 151, nov. 2012. p. 10-11.

TINIANOV, Iuri. O problema da linguagem poética II: o sentido da palavra poética. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1975.

TOLENTINO, Bruno. Posfácio. In: MELO, Alberto da Cunha. Dois caminhos e uma oração. São Paulo: A Girafa Editora; Recife: Instituto Maximiano Campos, 2003. p. 341-347.

[1] Graduando do 10º Semestre do Curso de Licenciatura em Letras com Habilitação em Língua Portuguesa e Literaturas, na Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias – DCHT, Campus XXII – Euclides da Cunha.

[2] Professor Orientador. Mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS (2003) e Graduado em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia – UFBA (2000), é Professor Auxiliar da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, com experiência na área de Letras e ênfase em Literatura Brasileira, atuando, principalmente, nos seguintes temas: Patativa do Assaré, escrita política.

[3] Tradução de Maurílio Dias.

[4] Poetas (p. 89), Dois demônios (p. 107), O escritor tropical (p. 144), Testamento no gabinete (p. 150), Lições de um mestre da rotina (p. 168), Sertão Central e de Crateús (p. 193), Os que ficarão (p. 206), Manhãs de um predador (p. 214-5), Cartaz (p. 226), O livro projetado (p. 246), Afronta a H. G. Wells (p. 253) e Influência das vozes (p. 254).

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