Alberto da Cunha Melo, por Hildeberto Barbosa Filho

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Alberto da Cunha Melo,
grande pecador ou seis propostas para uma nova leitura (*)

(Palestra de Hildeberto Barbosa Filho, no lançamento do “Poesia completa” de Alberto da Cunha Melo, Editora Record, 2017.  Recife, 6 de março de 2018. Livraria Cultura. Auditório Eva Herz)

primeira concerne ao título: O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos. Todos sabemos da relevância de um título e de sua pertinência em relação ao texto ou aos textos que encabeça. Jornalista sobretudo sabe que intitular é uma arte. O escritor e o poeta, também. O título, principalmente quando o título é bom, guarda sinais semânticos como indícios das motivações do texto. O autor, o espaço, o tempo, o detalhe, a circunstância, a significação, o dado – visível ou invisível – podem ressoar às margens de sua nomenclatura, numa função catalítica que deflagra variadas expectativas. Salvatore D´Onofrio, em O texto literário: teoria e aplicação, o denomina de “elemento catafórico”, isto é, elemento que, para além de outras possibilidades, remete, a princípio, para a temática geral da obra. Arnaldo Saraiva, no curioso O livro dos títulos (à falta de título melhor), sustenta que seu interesse deriva de si mesmo, enquanto microtexto, como de sua “relação complexa ou simples com a obra que apresenta ou representa, e com outros títulos, do mesmo escritor”. Pois bem: associado a outros anteriores, em especial, Publicação do corpoNoticiárioPoemas à mão livreCarne de terceira e Meditação sob os lajedos, este titulo já diz muito, não só da temática, mas também do modo poeticamente peculiar de contorná-la. Quanto àquela, a presença espessa de uma humanidade ínfima, anônima, miserável, fazendo de Alberto um poeta de anti-heróis e oprimidos; quanto a este, um olhar de sabor aperceptivo, para me valer de uma categoria de Van Riet, centrado na capacidade de se deslocar e ao mesmo tempo de assumir a perspectiva do outro. O outro que pode ser o homem, o bicho, a coisa orgânica, mineral e vegetal, a experiência ordinária do mais corriqueiro cotidiano. “O cão de olhos amarelos” é um estranho personagem como tantos que vivem em diáspora pelas planícies cáusticas da poesia de Alberto da Cunha Melo, e integra um poema da primeira parte, toda moldada em apelos paralelísticos, como de resto me parece acontecer com a estrutura básica desta poesia, desde as suas raízes fundantes e fecundantes. Talvez o modelo anafórico não se evidencie, mas o paralelismo alicerça as suas fundações vérsicas, acústica, morfológica, sintática e semanticamente, uma vez que, segundo Jakobson, o paralelismo é “o problema fundamental da poesia”, conforme relembra o próprio poeta. Problema que se resolve, ainda conforme o mestre russo, na projeção do princípio de equivalência do eixo de seleção sobre o eixo da contiguidade. Este título, portanto, está em consonância com os outros. É paralelístico. Retoma e recorta uma mesma temática.

segunda se prende à narratividade. Nesta obra – veja-se também e particularmente Yacala – o lirismo se consolida em técnicas de fabulação, onde os episódios vividos, as ações experimentadas e os personagens tendem a desempenhar um papel fundamental. Cada poema parece contar um fato. Cada fato parece se confirmar enquanto alegoria da condição humana. A presença dos personagens, em suas situações-limite, me dá a convicção de que estou nos arredores de um conto breve, de uma narrativa trágica. Poemas como “Marta”, “Emília”, “Hugo, mestre pedreiro”, “Marlene”, “Gonçalo”, “Lena”, “Onório” e tantos outros desta reunião, mesclam o lirismo que brota do animus do eu poético, quase sempre distanciado e irônico, com as fagulhas inesperadas do drama. É curioso, de outra parte, como a substância concreta destes casos absurdos, de repente se transmuda, pela força da forma verbal, em sugestões cognitivas de surpreendente impacto filosófico, fundindo, na mesma percepção – e já agora percepção estética – o grotesco e o sublime, a verdade e a beleza. Não é muito comum, pelo menos no âmbito da lírica, o poema narrativo. Penso em Drummond, com “Morte do leiteiro” e “Caso do vestido”, ambos de A rosa do povo. Só que em Alberto, o processo me parece essencial. Por quê? Ora, porque aponta para uma das fontes seminais de sua poesia. Quero me referir à tradição oral do cancioneiro popular de linhagem ibérica que tanto fertiliza a criação literária dos nordestinos. Observem-se, por exemplo, um João Cabral de Melo Neto e um Ariano Suassuna. Não me prendo à métrica e ao ritmo de poemas como “O cantador de Monteiro” e “Serra, Serrote, Serrita”, vazados em estilística de cordel (assunto do qual o poeta é estudioso), mas me atenho especificamente ao procedimento interno de compor o texto dentro de um foco, a rigor narrativo, que põe os vocábulos ao rés do chão, sem perder, contudo, o vigor lírico da palavra, sobremaneira pelos contrastes ideativos, pela energia das imagens e a organização melódica dos versos. O mais significativo é isto: em Alberto, a trama que se emoldura em cada poema nunca elide a configuração verbal do impulso lírico. O traço, salvo engano, advém dos veios germinais da tradição popular. E daí, mais um ingrediente que pode confundir o leitor: como um poeta tão erudito, leitor de Kafka e Eliot, um poeta filosófico e metafísico, não se descola das matrizes tradicionais? Ora, a escolha temática e a maneira de operá-la tornam a poesia de Alberto estranhamente misturada, estilisticamente híbrida, dentro daquela linhagem a que Edmund Wilson, em O castelo de Axel, chama de família do coloquial-irônico, que pode abrigar, por exemplo, as figuras de Corbiére, de Laforgue, de Pound e de T. S. Eliot.

terceira incide sobre a camada intertextual. Ouso pensar além de Roman Ingarden com sua teoria dos estratos, pois creio que o intertexto, explícito ou implícito, faz parte natural da obra literária, parte orgânica e intransferível, constituindo, de per si, uma das suas componentes estruturais. Todo texto é intertexto e deste princípio podem se derivar múltiplas notações que se incorporam ao seu raio de ação e de expressão, traduzidos tecnicamente como intratexto, paratexto, metatexto, a consignar, no plano da criação artística, o palimpsesto a que se referem um Jorge Luís Borges e um Girard Genette. Por este caminho, vislumbra-se a riqueza erudita da poesia de Alberto da Cunha Melo. Uma poesia que preserva um modo de apalpar as coisas, diria kafkiano, naquilo que revela de insólito, de grotesco, de absurdo a par de seus relatos triviais. Kafkiano aqui não somente pelos poemas que dialogam claramente com o autor de O processo e sua ficção, a exemplo de “Morte de Franz Kafka (1885-1924)”, mas pelo recorte estilístico de uma escrita quase prosaica, clara, concisa, cartorial, solar, embora tocando em poços profundos, em zonas noturnas, em vivências escusas e nas dores patéticas da alma humana. Daí a ironia que subjaz em cada texto. A ironia que descrê de mitos e de valores e que, no dizer arguto de Gilberto Amado, em breve ensaio de A chave de Salomão e outros escritos, “sorri da grandeza, da verdade, da beleza de todas as expressões vãs que se desfazem tão facilmente na aridez da eternidade”. A ironia que gera o ceticismo e descamba, corrosiva, no estuário do tédio. Eis um dos acenos capitais desta poesia iluminada. Apenas três exemplos ao acaso, e poderiam ser tantos, confirmam minha fala: “(…) O corpo está correto / e a vida / pode prolongar o seu erro: / mais conhaques e débitos / e deuses / para perdoar tudo isso. / De quantos abismos é feita / a pequena e quase exangue / fonte da vida?” (“Check-up classe b”); “(…) Há mais testemunhas / do que borboletas / na superfície da terra” (“A Dostoievski”); “(…) É preciso partir numa noite de chuva, / para que as árvores de nossa terra / (de repente belas) / não nos agarrem, / não façam chantagem / com nossa provável / e discutível ingratidão. / A mulher adiada / deve ir também: / não há passaporte que resolva / o problema da solidão” (“Bagagem”). A ironia que vem do Eclesiastes e insemina o chão casmurro do Bruxo do Cosme Velho, a pedra e os caminhos do fazendeiro do ar. Aliás, outras insinuações intertextuais que capitalizam o estrato erudito do verso neste pernambucano de Jaboatão. Há muito do primeiro Eliot em sua poesia, o Eliot de “A canção de amor de J. Alfred Prurfock”, de A terra desolada e de “Os homens ocos”. Há algo de Baudelaire, de Corbiére, de Laforgue que se derrama pelo visgo do olhar, e, se pensarmos numa linha construtivista, geométrica e racional, visível na pesquisa dos octossílabos, das retrancas e das renkas, há um Alberto irmão de Arnaud Daniel, Valéry e João Cabral. Chamo atenção ainda para a sinergia do intertexto cinematográfico, relido e reinventado pela sintaxe verbal e configurativa de muitos poemas. A música, as artes plásticas, a sociologia, a cultura popular, a alta literatura como que emprenham o corpo sólido desta poesia , em sua histórica tradição, para dela fazer brotar, autônoma, a voz inconfundível de um talento individual.

quarta fabrica um paradoxo e simultaneamente uma unidade. Como toda arte autêntica, a poesia de Alberto da Cunha Melo é a um só tempo coisa mentale e libido sentiendi, ou seja, é razão e emoção fundidas no tecido da linguagem. O aspecto racional decorre de sua preocupação no planejamento da forma e, sobremaneira, no consorciá-la isomorficamente com o conteúdo, conforme mandamento das mais legítimas normas da poética. Neste O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos, o poeta/construtor, o poeta daquela linhagem lógico-matemática, exercita o estro na longa série de textos da primeira parte, as chamadas renkas, ou poemas em sequência, de origem oriental, assim como nas retrancas da segunda e nos octossílabos finais. Aqui se apresenta de maneira calculada o Alberto geômetra a investir na tradição das formas fixas, buscando retemperá-las dentro de sua concepção pessoal acerca das técnicas do verso. As tensões entre ritmo e métrica, entre pausa e cadência e, sobretudo, a lógica anafórica dos paralelismos imprimem às peças poéticas um singular equilíbrio. Mas é preciso observar também que o senso apolíneo demarca, na fluidez mono-estrófica do expressivo conjunto dos poemas de verso livre, outra curiosa partitura desta poesia. Por isto, vale mais uma vez, o célebre lugar-comum: Alberto é um poeta que sente, mas sente pensando… Os dados sensíveis que vibram nos poemas, quer naqueles mais aderentes aos cânones tradicionais, embora mesmo aqui, não raro o mestre se imponha como inventor, quer naqueles em que a correnteza emotiva parece vagar livremente pela substância aquática das palavras, integram uma gramática interna, idiomática, textual. Não há, portanto, confissão gratuita nesta poesia. O eu poético nunca se desmancha em apelos lacrimais e soluçantes típicos da menor matriz romântica. Não existe linearidade entre sujeito e sentimento. A emoção nunca é e exatamente emoção biográfica. Existe, sim, emoção e forma compactas, porém uma emoção, como diria Eliot, impessoal, uma emoção significativa “que tem sua vida no poema, e não na história do poeta”. A propósito, não resisto em citar as palavras finais do ensaio fundante, “Tradição e talento individual”, do poeta anglo-americano: “(…) A emoção da arte é impessoal. E o poeta não pode alcançar esta impessoalidade sem entregar-se ele próprio inteiramente à obra que será concebida. E não é provável que ele saiba o que será concebido, a menos que viva naquilo que não é apenas o presente, mas o momento presente do passado, a menos que esteja consciente, não do que está morto, mas do que agora continua a viver”. Ora, a poesia de Alberto confirma esta teoria.

Foto de Márcia Cordeiro

Lançamento do “Poesia completa”, de Alberto da Cunha Melo. Recife, 6 de março de 2017. Livraria Cultura. Auditório Eva Herz.. Da esquerda para a direita: Hildeberto Barbosa Filho, Cláudia Cordeiro da Cunha Melo, Nelson Patriota e Luis Manoel Siqueira. Foto de Márcia Cordeiro

quinta diz respeito a certos procedimentos retóricos que, de um modo ou de outro, vêm de confirmar muito do que tenho dito nestas páginas. Eliotiano, o autor de Oração pelo poema também procura expressar a emoção através do chamado “correlato objetivo”. Segundo o poeta de Quatro quartetos, em seu ensaio “Hamlet”, “o único meio de exprimir emoções em forma de arte é através de um correlativo objetivo: em outras palavras, o conjunto de objetos, uma situação e uma cadeia de acontecimentos que sejam a fórmula para esta emoção particular, de tal modo que, quando os fatos externos que devem terminar em experiência sensorial, são apresentados, as emoções são evocadas”. A utilização desta técnica empresta maior objetividade ao lirismo e chama a atenção sobre a obra em si mesma enquanto estrutura autônoma e independente. Se não esvazia o conteúdo emocional do poema, o que seria contrário à sua natureza estética, e mais ainda à categoria lírica, elimina, no entanto, seus nutrientes confessionais e subjetivos. A narratividade e o aspecto aperceptivo, que me parecem intrínsecos à poética albertiana, pagam o devido tributo a este componente discursivo. Os exemplos são muitos e recorrem em todos os momentos desta coletânea. Selecionemos alguns da primeira parte. Em “Distâncias”, a compaixão é vista como uma “freirinha magra dos caminhos / e que anda muito devagar”; em “Marlene”, exibe-se esta construção: “Nos jarros da sala, as flores, / cabeças pendidas, seriam / corpos de bebês enforcados”; em “Lena”, a personagem “Para mostrar-se, se abrigava / sob o esqueleto de um ipê, / tão desfolhado quanto ela”; em “U.T.I.”, veja-se um elemento abstrato em pura imagem concreta: “Eis o zênite da agonia: / a dor não aumenta, se parte / como vidro, dentro do corpo, / tirando-lhe toda elegância / antiga, diante da morte”; em “Praieiras”, aparece esta correlação: “Enquanto isso, a vida passa / incógnita, levando o seu / saco de sementes nas costas”. Ao “correlato objetivo” funde-se, não raro, o acento expressionista da imagem, o imagismo plástico tão característico de Alberto (“Era um cão de olhos amarelos / com uns tons de urina boiando / pelo ferro podre das órbitas”), compactando a dicção. Outro traço estilístico, notado inclusive pelo crítico Mário Hélio, em “A ordem fatal das coisas vivas”, prefácio a Dois caminhos e uma oração, consiste na vocação aforismática que, segundo seu entendimento, vindo desde os primeiros octossílabos, “continuou nos Poemas à mão livre, se ampliou em Carne de terceira, não arrefeceu em Yacala (poema narrativo) e mais se acentua agora”. E este agora pode contemplar muito bem O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos. Diria apenas que o aforisma, na mais das vezes, inicia os poemas numa espécie de apresentação da ideia que, por sua vez, deverá ser glosada com os fatos e vivências narrados ou descritos. Em “Turíbulo”, por exemplo, a estrutura é esta: “Deus se esconde, mas não confessa / seu horror de não morrer nunca”. O resto do texto se desenvolve, com os “correlatos objetivos”, com a tactilidade e a visualidade das imagens e com as “melhores palavras possíveis na melhor ordem possível”, conforme Coleridge conceituando a poesia, elucidando o significado poético e filosófico dos versos inaugurais. O mesmo se dá com o poema “Varrendo o salão” (aliás, observe-se bem o título na sua insinuação irônica!): “Qualquer vida é longa demais / para quem não pode escolhê-la”. Assim também com “Tílias”: “Para as tílias e para tudo / que vive, toda vida é a última”. Assim também com tantos e tantos textos deste longo poemário.

Finalmente, a sexta e última proposta discute o teor do título: “Alberto da Cunha Melo, grande pecador”. Extraio esta ideia das palavras do próprio poeta em referência a certas correntes de vanguarda. Segundo ele, algumas destas correntes “consideram o paralelismo, em qualquer de suas manifestações, pura redundância – logo o pecado mortal da poesia”. E mesmo que Alberto, nesta obra, abra espaço para investidas experimentais no terreno da linguagem, a exemplo da parte III, suas bases estéticas se assentam na tradição do verso e da imagem, nos predicados de uma lógica discursiva e não nas estratégias de iconização dos signos verbais, mediante a exploração do chamado estrato ótico e da sintaxe espacial-figurativa. Sem aderir ao vanguardismo, o poeta, todavia, não o hostiliza, compreendendo, de acordo com a nota que antecede Outros poemas inéditos, “que significou um esforço intelectual visando a dar autonomia ao poema, uma vez que o mau uso do verso livre terminou por colocar em risco a própria identidade social da poesia”. Ora, evidentemente, para aqueles que privilegiam as matrizes experimentais da arte poética, aqueles que trilham as veredas do significante, as exigências de ruptura, o critério da novidade, e o fazem como saída única para a poesia, Alberto da Cunha Melo é um grande pecador. Creio, não obstante, que a alta poesia nasce da aventura expressiva dos grandes pecadores. Não os que destroem as heranças literárias, mas os que sabem reinventá-las dentro da abertura natural dos sistemas estéticos. Por exemplo: Dante, Villon, Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé, Blake, Holderlin, Rilke, Eliot, Pessoa, Borges. A poesia de Alberto – e O cão de olhos amarelos & outros poemas inéditos – não se quer simplesmente poesia de invenção enquanto pesquisa linguística que se esgota nos costados da linguagem, isto é, como esteticismo autotélico, grafismo autofágico, minimalismo estéril. Sem descurar de uma consciência metalinguística, de uma atitude crítica e metódica diante dos vocábulos e dos recursos retóricos, se impõe sobretudo como uma poesia de significação, onde as incidências afetuais e a dança das ideias pelo intelecto apontam para o mundo e para a vida. Sem deixar-se seduzir pelos modismos artísticos, sua poesia é autêntica. É, como já disse, dotada de verdade e de beleza. E, sendo assim, gostaria de parafrasear Johannes Pfeiffer, em Introdução à poesia: devido à sua verdade, esta poesia é necessária; devido à sua beleza, é beatificante!

À esquerda da primeira fila do auditório, escritores da Academia Paraibana de Letras com os quais Hildeberto Barbosa Filho se fez acompanhar. Recife, 6 de março de 2018. Lançamento do “Poesia completa” de Alberto da Cunha Melo

(*) Hildeberto Barbosa Filho é poeta e crítico literário paraibano. Posfácio do livro O Cão de Olhos Amarelos & Outros Poemas Inéditos, de Alberto da Cunha Melo. A Girafa Editora, 2006. Texto apresentado e comentado pelo autor, no lançamento do “Poesia completa” de Alberto da Cunha Melo – Record, 2017 – na Livraria Paço Alfândega em Recife.

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