Alberto da Cunha Melo devidamente homenageado (2)

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A atuação como autor de Alberto da Cunha Melo lhe garantiu um posto de destaque na cena literária recifense. Desde o seu livro de estreia, Círculo cósmico, de 1966, ele se tornou um dos principais expoentes daquilo que seria batizado pelo historiador Tadeu Rocha de Geração 65, que englobava também a produção de Jaci Bezerra, Ângelo Monteiro, Marcus Accioly, Lucila Nogueira, Maximiliano Campos e Raimundo Carrero, entre outros. “Ao menos para mim, ele foi uma espécie de mestre, de guru”, confessa Domingos Alexandre, também um dos participantes da geração.

Segundo o poeta, ele e Alberto se conheceram ainda no ginásio, em Jaboatão dos Guararapes. “Ele veio conversar comigo depois que o professor de português elogiou uma redação minha”, conta. Os dois se tornaram próximos pelo interesse em literatura, ainda que naquela época escrevessem sonetos de influência simbolista e parnasiana, moda nos colégios. “Foi inclusive um primo de Alberto, Valdemir Veloso, que apresentou a nós os autores modernos, que mudaram totalmente nossa escrita”.

Alberto também teve uma grande trajetória como crítico e incentivador de escritores novos. Editou, entre 1982 e 1985, o Commercio Cultural, suplemento literário do Jornal do Commercio. Além de ter dado espaço para outros críticos, como Mário Hélio, recebia muitos textos de autores novos. “Ele acolheu vários poetas da geração independente, como Cida Pedrosa e Chico Espinhara. Alberto era aberto a todo tipo de poesia, mesmo que não fosse a que ele fazia, como os poemas-processo”, avalia Domingos.

Mário Hélio conheceu o poeta no início da década de 1980, quando levou uma resenha para ser publicada no JC. Ele destaca o trabalho de Alberto como gestor – ele foi Diretor de Assuntos Culturais da Fundarpe. “Eu me lembro de uma entrevista longa que fiz com ele, bem atípica, dessa época. Foi em uma mesa de bar, mas não foi gravada. Eu pegava um papel e escrevia ali as perguntas para ele, e ele imediatamente respondia, também no papel”, recorda com carinho o amigo. “Vez ou outra ele brincava comigo: ‘Isso não é uma pergunta, é um ensaio’”.

DIOGO GUEDES

Jornal do Commercio, 2 de setembro de 2012. Matéria em torno do lançamento de “Cantos de contar” (fragmento).

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